Muitas vezes, a concentração de pais e professores na resolução das dificuldades académicas impede a percepção de outros problemas igualmente importantes. Ainda que o impacto das dificuldades de aprendizagem varie de criança para criança e nem todas as crianças ou adolescentes com dificuldades de aprendizagem atravessem dificuldades sociais, a investigação demonstra que um número significativo não apresenta a vivência social que desejaríamos (são recorrentes, entre outros, a solidão, impopularidade, desintegração da turma, baixa auto-estima).
Em algum momento notaram que a dislexia afectou a vivência social dos vossos filhos? De que forma/s?
Tomaram alguma medida para remediar a situação?
O que deveria ser feito para evitar ou resolver estas situações?
Sentem ou sentiram em algum momento que os vossos filhos são discriminados pelos colegas ou professores na escola?
Domingo, 3 de Maio de 2009
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Olá, boa-noite
ResponderEliminarDe facto, embora o meu filho seja uma criança feliz, ultimamente noto que apresenta vários tiques nervosos. Penso que se devem ao facto de estar a tomar consciência (tem 8 anos) de que é diferente dos outros colegas da turma e da frustação que sente por não conseguir ser como eles. A pressão social exercida sobre estes alunos é muito grande porque para além das dificuldades de comunicação que apresentam na relação com os outros, são conhecidos pelos seus maus resultados escolares e muitas vezes pelo mau comportamento. Sofrem muitas vezes daquilo que chamo popularidade negativa, são conhecidos pelos aspectos mais fracos. Estes alunos deveríam ser tratados de forma a sobressair os aspectos positivos e tentar ao máximo não chamar constantemente a atenção para as falhas. Mas, confesso que também me é difícil, uma vez que o meu filho consegue ser cómico e acabo por rir e levar para a brincadeira quando no meio da conversa ele responde com frases que têm o mesmo som mas completamente fora do contexto. Tento corrigir o erro sem ser de forma punitiva. Não sei se estou a agir correctamente. Vou ter de falar com a professora acerca dos tiques e ao médico que o acompanha. Não me parece fácil contornar esta situação na escola. Era preciso uma mentalidade, ou educação no sentido de formação para a cidadania, que ainda a maioria da polpulação não possui, que é o direito e o respeito pela diferença, seja ela qual for.
Olá boa-noite
ResponderEliminarEscrevi o primeiro comentário, sem assinar e enviei como anónimo, peço desculpa.
Cristina Sá
Sem dúvida que o comportamento mudou muito especialmente desde a entrada no ciclo.
ResponderEliminarÉ por vezes muit resmungão e responde de tal maneira que chega a ser considerado malcriado.
E assim é o dia-à-dia na escola, é facilmente catalogado de mal criado.
Eu sei o quanto ele agora está a fazer esforços para mudar... daí os professores agora acham que ele "reza para dentro".
Vou continuar apoiá-lo e dirigi-lo neste mundo de adultos e no meu escolar.
o que me parece é ele ainda não saber as regras dos professores, que na sua maioria, vêem a criança como mais um aluno e o que se lhe pede é para seguir e aceitar todas e quaisquer regras.
Então agora que tanto se fala em complicações nas escolas, de agressões etc... creio que está instalado um clima de medo e repressão.
Qualquer resposta descontextualizada da aula, é logo catalogada e ai, Jesus, que estamos perante mais uma insurreição.
É lamanentável as crianças deixarem de serem crianças, agora é proibido nas aulas, falarem, comentarem e tudo em nome da educação, sucesso escolar, respeito ....
A criança, essa cresce frustada.
Lamento em tudo aquilo que a escola se está a transformar...
Não sei se isso não será alheio a tantas "maleitas" que os nossos filhos adquirem.
E que nós vindo a conseguir com tanta repressão ... o aumenta da má educação, frustração, abandono escolar....
Espero que tudo não sejam meras suposições minhas, e que na realidade estejamos todos a viver num mar de rosas.
Um bom dia
Maria Guedes
Olá,
ResponderEliminarÉ curioso Cristina, a minha filha também faz muito isso de dizer frases e no meio uma palavra parecida com a que queria dizer mas que não tem nada a ver com o que realmente estava a falar... Quanto à tristeza e frustração que sentem penso que o problema maior são os colegas da escola porque já falei com a professora sobre isso e ela diz-me que apesar de falar com eles sobre isso, só aos poucos vão perceber que estão a agir mal mas que as crianças são assim, é dificil controlar o que dizem uns aos outros e têm muita tendência a “maltratar” os que têm mais “fraquezas”. Pessoalmente, acho que este trabalho devia ser feito sobretudo em casa, os pais das crianças deveriam explicar-lhes muito bem o que se passa com a colega e mostrar-lhes que quando a gozam ela fica muito triste e infeliz e que estão a agir muito mal e que deveriam era ajudá-la a sentir-se bem. E isto, concordo totalmente com a Cristina, deveria ser relativo a qualquer diferença, tem que haver educação e respeito por qualquer pessoa! (não só para o bem dos outros mas para o próprio bem de cada criança para que se torne um adulto bom e bem formado).
Por enqaunto não tenho problemas de comportamento com a minha filha (não tenho nenhum filho mas acho que as raparigas são sempre mais facéis quanto a isso), mas tenho medo quando chegar a hora de ir para o ciclo porque a escola tem muitos mais alunos e tenho ouvido histórias assustadoras.
Bjs,
Marta
Boa noite a todos, sou a Estrela,
ResponderEliminarConcordo com os comentários. A disléxia afectou socialmente o meu filho na medida em que ele não quer divulgar a ninguém a dificuldade que sente, nem aos amigos, professores, familiares, conhecidos, ficou retraído, desmotivado, auto-estima com altos e baixos, ansioso, pessimista.
Falo sempre muito com ele para o animar nos momentos mais difíceis, e não só, dou-lhe optimismo, explique que ele é tão ou ainda mais inteligente que os outros miúdos. Confesso que não é fácil convencê-lo.
Se tivesse uma varinha de condão mudava as mentalidades das pessoas face ao problema de qualquer deficiência que fosse. Elas são muito crueis sobretudo as crianças entre elas, mas infelizmente é muito difícil mudar a base de uma sociedade.
O meu filho foi descriminado por alunos que lhe chamaram "burro" várias vezes, por professores que o tratem por preguiçoso, cabeça no ar, desconcentrado, mal criado, fazem chamadas constantes aos erros que comete(o que na minha opinião nunca de deve fazer á vista dos outros) houve uma altura em que uma professora de Françês assim que ele "abria a boca" dizia logo "tu e a tua estupidez" só parou quando mandei recado através de Directora de turma que ía fazer tudo para que lhe fosse aplicado uma processo disciplinar. Evidentemente foi só uma ameaça, eu não sou má para fazer isso, mas u ma coisa é certa não aceite nenhum tipo de descriminação no meu filho. Vou lutar sempre por ele e vocês também devem lutar sempre pelos vossos filhos nunca parar de lutar.
Estrela.
DEVE OU NÃO UMA CRIANÇA DISLÉXICA SER ABRANGIDA PELO NOVO DECRETO LEI 3 DO ENSINO ESPECIAL ? COMO SE DEVE FUNDAMENTAR PARA SER FEITO O SEI ENQUADRAMENTO DENTRO DO DEC LEI Nº3? HAVERÁ VANTAGENS PRÁTICAS PARA A CRIANÇA NA SUA VIDA ESCOLAR?
ResponderEliminarBoa noite a todos, sou a Estrela,
ResponderEliminarComentário para "Acasos visuais da vida"
Uma criança disléxica tem direitos e deve ser sempre protegida por lei e pela Sociedade, esta regra é válida também para todas as crianças , evidentemente.
Permita-me que lhes peça por favor para "consultarem" as nossas mensagens "Apoio especializado" dia 27/03 assim como "Decreto-Lei 3/2008", isto para não estarmos a repetir tudo novamente.
Agradecemos a sua vinda a este blogue e esperamos novos comentários vossos.
Estrela
Os problemas sociais da minha filha não são tanto por discriminação e, sinceramente acho que nem por maldade (pelo menos por enquanto) é mais ...a honestidade ingenua das crianças e "selecção natural" a lei do mais forte.
ResponderEliminarNas brincadeiras com as outras crianças, ela nem sempre, ou quase nunca consegue ter o desempenho dos outros, nomeadamente a nivel de maturidade (temas de conversa ou tipo de jogos)e psicomotor ( futbol, saltar corda...) e como ninguém quer perder (incluindo ela...) ou é a ultima a ser escolhida p´ra equipa ou fazem algum comentário ( tu não sabes...) e ela mesma acaba por se isolar, por ficar a brincar sózinha ou procurar a irmã e os colegas que tendo +/- 2anos a menos são mais faceis de igualar. Também fica triste, quando comentam as suas notas ( tens sempre satisfaz, ou gostavas era de ter as minhas notas - o colega de que só tem excelentes.)
Eu acho que... o problema é o que eles mesmos pensam de si mesmos, sim é claro que tudo isto pode magoar, mas... no caso da minha filha, ela é muito critica consigo mesma, ela adora participar, competir, agradar, ela queria mesmo fazer tudo bem e olha para os outros e parece facil mas... não consegue e muitas vezes não quer fazer para não errar...não sei muito bem como explicar, mas é como se o que os outros meninos dizem fosse exatamente aquilo que ela mesmo pensa de si própria e é isso que magoa, ela concorda com eles, como se fosse ao contrário ela faria o mesmo... são as auto-criticas que os deitam abaixo.... é dificil explicar isto a uma criança... tento dizer-lhe que o que importa é o que ela pensa de si mesma, o que ela acredita e, que se ela souber que fez sempre o seu melhor, então não á de que ter vergonha ou ficar triste. Que não pode desistir, que tem que continuar a tentar e a errar para aprender porque se desistir nunca vai saber... Acho que ela vai percebendo mas vai devagar aos altos e baixos. Acredito que o ter uma irmã a ajuda muito e na maior parte das vezes é ela que está lá para ajudar a irmã a enfrentar qualquer coisa (a mais nova é muito mais timida) a psicologa diz que é a responsabilidade de irmã mais velha...
Muito boa tarde
ResponderEliminarTenho um filho com disléxia. É um excelente aluno, super atento e bem aceite pelos colegas. Como é muito criativo é muito querido pelos colegas. No entanto sofre imenso pelo facto de ser um prefeccionista e sentir que nem sempre consegue demonstrar nos testes aquilo que sabe.
Apesar do seu PEI prever, testes adequados á problemática, valorização da oralidade, etc. isso não se verifica na prática, o que me leva a reclamar junto da DT com alguma frequencia. O que acontece é que sempre que o faço os professores visados, tem atitudes de "bulling" psicologico o que me deixa extremamente revoltada.
Gostaria de pedir aqui uma sugestão da forma como posso actuar junto da escola afim de que as condições especiais de avaliação do meu filho passem do papel á prática, porque ja falei tantas vezes com a Directora de turma e com a prof. de educação expecial e não obtive qualquer sucesso.
Muito obrigado
Ana Vasconcelos